Brasília,
setembro de 2001
Dorothy Stang a luta
do tamanho da Amazônia
Missionária desenvolve há 35
anos projetos sustentáveis
nas florestas de Anapu (PA)

Dorothy Stang, ao centro |
O trabalho de missionários
na Amazônia deixa muita gente desconfiada.
Na verdade, como tudo na vida, tem aqueles
que trabalham para o bem, como os que trabalham
para o mal. No caso da missionária
Dorothy Stang, que tem 35 dos seus 74 anos
dedicados ao Brasil, é um trabalho
que rompeu a barreira na Vila de Sucupira,
município de Anapu, região da
Transamazônica, 500 km a sudoeste de
Belém, para encontrar os céus.
Desde 1972, unida às mulheres e agricultores
da comunidade Sucupira, a religiosa Stang
desenvolve projetos sustentáveis para
geração de emprego e renda com
a construção de uma indústria
de beneficiamento de frutas, duas mini-hidrelétrica
de 500KW e projeto de reflorestamento em áreas
degradadas.
Os benefícios dessa sustentabilidade
alcançam mais de mil famílias
abandonadas pelo governo no coração
da floresta amazônica. "Como os
custos dos projetos atingem R$ 300 mil, pedimos
ajuda ao consulado japonês no Pará
e tivemos apoio da Holanda e de um projeto
da Califórnia e até de Brasília",
diz ela. Para o maquinário da indústria
de frutas faltam R$ 75 mil.
No projeto de reflorestamento,
os agricultores em Anapu estão sendo
beneficiados com o Subprograma de Projetos
Demonstrativos da Amazônia (PD/A). A
ação prevê o consórcio
de espécies frutíferas e madeireiras
com o plantio de espécies ameaçadas
de extinção como castanheira,
mogno, cedro, jatobá e andiroba. A
indústria de frutas aproveitará
espécies já plantadas e o reflorestamento
criará novas áreas de plantio.
A transformação
das frutas em polpa terá frigorífico
com 25 toneladas para o beneficiamento de
culturas como banana, açaí,
cupuaçu, graviola, bacuri. A idéia
no futuro é o beneficiamento de laticínios.
“É uma luta para usar a floresta
e explorar os recursos naturais para produzir
e sobreviver, com dignidade e cidadania",
desabafa Dorothy.